![]() |
| Imagem por Olivia em Pinterest |
Quando a música encher a sala e um pouco da gente, quando as risadas começarem a preencher os micro espaços que a música não conseguiu chegar, quero poder me amar o suficiente pra encontrar a coragem de respeitar os movimentos involuntários que o meu corpo faz quando a música passa por mim. Que eu possa rir alto, as gargalhadas mais barulhentas quando ficar tonta de tanto rodar; de errar um passo e continuar dançando, de tirar uma criança pra dançar e aprender novas coreografias escalafobéticas com a criança que vive dentro de mim.
Mas quando acabar a festa, quando estiver exausta, suada, maquiagem e cabelos bagunçados, quero encontrar no silêncio de casa um pouco do resquício da última gargalhada, um pouco da coragem de me enxergar no espelho depois de me permitir (não pensando em “não, não deveria ter sorrido daquele jeito, dançado daquele jeito”). Quero me olhar sem culpa e mesmo não querendo passar tanto tempo dentro de mim pra não ver o tamanho da vergonha que sinto, que eu fique tempo suficiente pra ir perdoando as mínimas partes que a música não tocou. Que eu alimente minha criança com um pouco de afeto, um pouco de cócegas, um pouco de dança e que ela ria. Que ela gargalhe a risada mais alta. E que meu corpo vibre. Que ele dance em silêncio.

Postar um comentário